5 de novembro de 2026

Enslaved transforma risco criativo em novo capítulo com "Mið"

Capa de Mið, do Enslaved

O Enslaved decidiu abandonar a zona de conforto para construir Mið, seu 17º álbum de estúdio. Em entrevista à Blabbermouth, o guitarrista e principal compositor Ivar Bjørnson revelou que a banda entrou em estúdio sem as músicas prontas, apostando no processo coletivo para desenvolver o material diretamente durante as sessões.

Criação sem rede de proteção

A ideia surgiu depois que Bjørnson descartou demos que não o satisfaziam. Em vez de lapidar composições já encaminhadas, ele propôs reservar o estúdio e criar a partir dali. A iniciativa poderia soar temerária para um grupo com mais de três décadas de estrada, mas foi recebida com confiança pelos demais integrantes.

O resultado foram oito faixas moldadas nesse ambiente de experimentação. Entre elas estão Solar Will, Mountain e Spirit Helper. Para Ivar, o conceito de Mið passa pela experiência subjetiva e pela necessidade humana de criar histórias para compreender o mundo ao redor. Essa busca também guiou a sonoridade do disco, pensada menos como uma sequência de riffs e mais como uma resposta à paisagem, à memória e à imaginação.

Uma colaboração especial

Solar Will ajudou a confirmar que o método estava funcionando. Já Spirit Helper traz uma colaboração especial com Kevin Kicking Woman, ancião Blackfoot. Os vocais registrados em uma cerimônia em Nova York, em outubro de 2025, foram captados no celular de Bjørnson e preservados sem cortes ou correções de afinação, recebendo apenas ajustes de frequência na mixagem.

Ouça Mið no Spotify:

Três décadas sem repetir a fórmula

A faixa também reforça uma inquietação que acompanha o Enslaved desde sua fundação, em 1991. A banda começou ligada ao universo do viking metal e, especialmente a partir de Below The Lights (2003), ampliou sua linguagem progressiva sem perder o vínculo com suas raízes. Para Bjørnson, o novo álbum não deve ser entendido como uma fórmula para os próximos trabalhos, mas como prova de que ainda há caminhos a explorar.

O guitarrista também destacou a importância de Ice Dale na identidade do grupo. Segundo ele, os solos do músico combinam domínio técnico e sensibilidade, com cada nota cumprindo uma função dentro das canções, em vez de servir apenas como demonstração de velocidade.

Com Mið, o Enslaved reafirma que longevidade não precisa significar repetição. A decisão de se colocar em risco no estúdio transforma o 17º capítulo da discografia norueguesa em mais uma demonstração de curiosidade criativa.


Fonte: entrevista de Ivar Bjørnson à Blabbermouth, publicada em 3 de novembro de 2026. Capa: Enslaved/Spotify.

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